9 Maio 2026

O custo da inovação e o dilema do iPad: entre acordos judiciais e a busca pela produtividade real

Se você anda com um iPhone mais recente no bolso, existe uma chance considerável de a Apple te dever uma grana. A empresa acabou de fechar um acordo de 250 milhões de dólares para encerrar uma disputa judicial que corria na Califórnia. O motivo? Basicamente, a promessa de uma Siri muito mais inteligente do que ela realmente entregou na época. O processo alega que o marketing sobre os “recursos aprimorados” da assistente não passava de publicidade enganosa, induzindo muita gente a comprar aparelhos baseados em funções que, na prática, ainda não existiam.

Para quem se sentiu lesado, o valor pode chegar a 95 dólares por dispositivo. No papel, o pagamento inicial previsto é de 25 dólares, mas esse número flutua conforme o volume de reivindicações. Estão no bolo os donos de iPhone 16, iPhone 15 Pro e Pro Max comprados entre junho de 2024 e o final de março de 2025. São cerca de 37 milhões de pessoas elegíveis. A Apple, claro, nega qualquer irregularidade e diz que aceitou o acordo só para não perder o foco no que faz de melhor. Se você estiver na lista, deve receber um aviso por e-mail ou correio em breve, mas o site oficial com os detalhes da solicitação só deve ir ao ar daqui a algumas semanas.

Essa notícia de reembolsos bilionários acaba levantando uma questão que vai além do marketing: onde a Apple quer chegar com seus dispositivos de entrada e produtividade? Muita gente olha para o MacBook Neo e acha que ele tira o sentido do iPad, mas eu discordo totalmente. O Neo foi feito para quem não quer um computador tradicional, para aquele uso esporádico de tela grande. Já o iPad continua sendo o que sempre foi: um dispositivo focado no toque que, com um teclado e um trackpad, vira uma máquina de trabalho séria. Essa versatilidade ainda o coloca como a melhor escolha para a maioria, mesmo que o ecossistema esteja cada vez mais fragmentado.

Como alguém que ainda usa o Windows como base principal de computação, a régua para qualquer alternativa é bem alta. O iPadOS 26 trouxe avanços absurdos para quem quer transformar o tablet em desktop, mas ainda existe um abismo de complexidade e capacidade quando comparamos com o macOS ou o próprio Windows. O iPad é simples, sim, e é isso que muita gente quer, mas ele não vai abrir mão da sua essência tátil. Enquanto o macOS é otimizado para o cursor e o teclado, o iPad nasce e morre no toque.

Sendo bem honesto, não pretendo trocar meu Windows por um iPad tão cedo. Parte disso é puro pragmatismo; preciso do ambiente Windows para manter meus projetos e o site atualizados. Mas também tem uma questão de preferência pessoal e familiaridade. Talvez seja o peso da idade ou o costume com plataformas mais parrudas que as gerações mais novas já não fazem tanta questão de usar. Ainda assim, o iPad me atrai. Eu costumo resistir a mudanças por instinto, então me forço a analisar o cenário atual para ver se o que temos hoje já bate de frente com os sistemas tradicionais. Dependendo do que eu concluir, talvez eu suba o nível para um iPad Pro quando voltar para a Pensilvânia agora em meados de maio.

É curioso olhar para trás e ver que, em 2010, nem o Steve Jobs conseguiu explicar direito o que o iPad seria. Muita gente — eu inclusive — chamou o bicho de “iPod Touch gigante”. Mas Jobs sabia que ele servia para criar, não só para consumir vídeo e rede social. Tanto que o iWork estava lá desde o dia um. O progresso foi lento, especialmente depois que ele partiu, mas entre acessórios e o novo iPadOS 26, o tablet finalmente parece um substituto viável para o laptop. Hoje existe um iPad para cada bolso e, se ignorarmos os modelos básicos da Amazon ou os tablets da Samsung, a Apple reina sozinha nesse mercado. No fim das contas, a experiência ainda é subjetiva: nem todo mundo vai achar que um iPad substitui um notebook, tudo depende das ferramentas e do fluxo de trabalho que você já se acostumou a carregar.